25 de ago de 2013

[Projeto] Com amor, por favor, sem flash - 1º sorteio

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Hey galera, tudo bom?

Na quinta-feira recebi a minha tão aguardada cartinha do Projeto Com amor, por favor, sem flash e super adorei. E quem me enviou a cartinha foi a Raquel Carmim do blog Paradise. Fiquei muito feliz em poder saber um pouquinho sobre o que ela gosta e poder ler seu conto que simplesmente adorei. *-*

Então sem mais vamos conferir o conto dela...



Correr, respirar, sobreviver. São os únicos instintos que meu corpo conhece no momento. Minhas mãos seguram firme a arma que eu usei pela primeira vez a cerca de uma hora atrás. A rua que um dia foi tão movimentada, hoje está definitivamente morta, mais a frente encontram-se vários carros, todos abandonados.
Não posso seguir em frente, meus músculos protestam contra o esforço excessivo ao qual meu corpo não está acostumado. Preciso invadir uma casa, mas isso pode significar minha morte. Avisto a casa que eu costumava temer. Uma construção vitoriana abandonada com uma história sombria sobre corpos escondidos no porão. Mas hoje existem coisas piores para se temer do que histórias de terror.
Com a atenção redobrada eu aponto a arma e a lanterna para o terreno e me certifico de que está vazio. Tenho que me esforçar muito para pular a grade e atravessar o quintal até a casa. Só agora consigo entender realmente a sensação de estar com os nervos à flor da pele. Minha respiração parece alta demais, o silêncio parece zunir no meu ouvido, meu suor frio me dá arrepios. Agora tento me lembrar do vigia que costumava tomar conta da casa durante a noite, o único ponto onde as luzes ficavam acesas era no quartinho do andar de cima. Ele ainda pode estar lá. Bem, talvez o que esteja lá um dia foi ele.
Entro pela porta do lado que leva a sala, nenhum sinal de vida ou algo parecido com isso. Tudo está tomado pela escuridão e minha lanterna está falhando. Quem diria que pilhas seriam tão importantes para a minha sobrevivência. Não quero, mas preciso subir. Um degrau de cada vez, silenciosamente. Quanto mais me aproximo mais eu tenho certeza de que ele está lá. Ouço a respiração pesada do monstro. Não posso fazer barulho porque isso pode atrair outros, então pego a faca que estava presa na minha cintura. Respiro. Um, dois, três. Abro a porta e o vejo. É assustador e nojento. Um cadáver ambulante que notou a minha presença. Deixo a adrenalina tomar conta de meu corpo e cravo a faca em sua cabeça antes que ele possa fazer qualquer coisa.
Na cozinha encontro uma geladeira velha com uma garrafa de água e alguns pães velhos. Bebo avidamente e como as partes sem mofo de dois pães. Guardo o resto em minha mochila. Acho que posso me dar ao luxo de dormir em uma cama. Talvez encontre uma no terceiro andar. É aí que tudo acontece. Ouço aquela mesma respiração pesada, mas já é tarde. Um grito já se formou em minha garganta e sangue jorra do meu ombro. Encontro minha arma em cima da geladeira e atiro várias vezes contra a mulher que me mordeu até que ela fique completamente imóvel. Minha respiração está descontrolada e meu corpo começa a tremer violentamente. Não, não, não. Já vi o que acontece com quem é mordido pelos monstros. Minha mente tenta desesperadamente formar planos de fugir deste destino, mas no fundo já estou convencida da verdade. Ainda assim tento tratar do ferimento. Levanto-me e vou até a pia, minhas mãos tremem descontroladamente ao abrir a torneira. Ouço um chiado e água começa a jorrar, inclino meu ombro e preciso morder a alça da mochila pra não gritar. Rasgo um pedaço da minha blusa e amarro ao ferimento, a dor é lancinante. Remexo minha mochila a procura de algum medicamento. O barulho dos meus tiros vai atrair mais deles, ainda consigo fugir daqui. Tento não pensar no que vai me acontecer quando o vírus atingir meu cérebro.
Meus dedos tocam em algo pequeno, um vidro. Tenho de dar umas batidas na lanterna para iluminar o objeto, mas não precisava disso para reconhecê-lo. É tão pequeno que seguro entre meus dedos, um recipiente com tampa vermelha e que guarda um líquido transparente. Uma lembrança invade minha mente: Meu pai colocando o vidro em minhas mãos dizendo “Corra, sobreviva!”, ele me abraça e sussurra em meu ouvido “Mas se for mordida, tome isso. Eu prometo que não vai doer”. Veneno. Parece cruel, mas na verdade é o melhor presente que ele poderia me dar no mundo em que me encontro hoje. Ele me deu um escape. Não preciso esperar até que eu me transforme, não preciso apertar o gatilho da arma contra minha cabeça, não preciso fugir do que não posso escapar.
- Obrigada pai, estou indo. – Retiro a tampa vermelha e bebo o líquido até que o gosto amargo me impede de continuar. Mas já é o suficiente. Estou tranquila, não preciso mais lutar pra sobreviver. Estou livre dos horrores que me cercaram. A morte é um descanso.


Acima a fotinho que tirei da carta e se você quiser saber mais sobre o projeto é só clicar aqui.
É isso pessoal e até a próxima 

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