Quando a vida interrompe uma leitura.

 



Nem toda leitura é abandonada porque perdeu o interesse.

Às vezes, a vida simplesmente ocupa o espaço que antes pertencia aos livros.

Faculdade, projetos, avaliações, prazos, compromissos e a própria rotina acabam disputando atenção com aquilo que gostaríamos de estar lendo. E, em algum momento, um livro fica parado na estante, no e-reader ou na lista de leituras em andamento.

Durante muito tempo, tive a sensação de que interromper uma leitura significava fracassar como leitora. Como se abandonar um livro, temporária ou definitivamente, fosse uma prova de falta de disciplina ou comprometimento.

Mas a verdade é bem menos dramática do que parece.

Não existe uma polícia literária fiscalizando quantos livros terminamos por mês. Não existe uma regra que obrigue toda leitura iniciada a ser concluída. E, ainda assim, muitos leitores carregam a sensação de culpa quando um livro fica parado por semanas ou meses.

Então por que transformamos isso em algo maior do que realmente é?

Com o tempo, percebi que algumas leituras chegam no momento certo e outras precisam esperar. Nem todo livro abandonado é um livro ruim. Nem toda interrupção significa falta de interesse. Às vezes, a vida simplesmente exige atenção em outros lugares.

Também aprendi que existe diferença entre desistir de uma leitura e apenas pausá-la.

Desistir é reconhecer que aquele livro não funciona para você naquele momento. Pausar é entender que a leitura continua existindo, mas precisará esperar até que haja espaço para ela novamente.

E tudo bem.

Os livros não deixam de existir porque ficaram algumas semanas fechados. As histórias continuam lá, aguardando o momento certo para serem retomadas.

Vale refletir: interromper uma leitura não significa desistir dela.

Algumas histórias esperam. E talvez parte da experiência de leitura também seja saber quando voltar.

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