💭 Nem todo livro favorito é perfeito (e tudo bem)





Existe uma ideia curiosa que, por muito tempo, eu aceitei sem perceber: a de que, para considerar uma obra favorita, eu precisava acreditar que ela era perfeita.

Mas, com o tempo, comecei a perceber que gostar muito de algo e reconhecer suas falhas são coisas completamente compatíveis.

Essa percepção apareceu primeiro quando revisitei algumas séries que marcaram. Ao reassistir, encontrei problemas que antes passavam despercebidos: tramas repetitivas, decisões convenientes de roteiro, personagens que deixavam de evoluir. E, ainda assim, o carinho que eu sentia por essas histórias continuava existindo.

Com os livros, percebi que acontece exatamente a mesma coisa.

Existem obras que guardamos com afeto não porque sejam impecáveis, mas porque chegaram no momento certo, despertaram emoções específicas ou simplesmente dialogaram com uma versão nossa que existia naquele período.

Isso não significa ignorar limitações narrativas, problemas de construção ou escolhas que hoje talvez eu avaliasse de forma diferente. Significa apenas aceitar que a experiência de leitura vai além de uma análise técnica.

Ao longo dos anos, meu olhar como leitora mudou. Hoje, consigo perceber com mais facilidade questões relacionadas à estrutura, ao desenvolvimento de personagens e às escolhas narrativas. Mas essa mudança não eliminou a possibilidade de gostar de obras imperfeitas.

Na verdade, talvez tenha acontecido justamente o contrário.

Aprender a reconhecer as limitações de uma história sem perder o afeto por ela tornou minha relação com a leitura mais honesta e menos rígida.

Porque, no fim das contas, talvez o problema nunca tenha sido a imperfeição das obras.

Talvez a expectativa equivocada seja acreditar que precisamos encontrar perfeição para justificar aquilo que amamos.

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